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8 de dezembro de 2015

Confusão e quebra de urnas suspende votação para comissão do impeachment

Ranier Bragon
Gustavo Uribe
Brasília

Uma série de confusões e brigas físicas dentro do plenário da Câmara marcou o início da sessão desta terça-­feira (8) que irá eleger os integrantes da comissão que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Favorável ao impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB­-RJ), iniciou a sessão e abriu a votação rapidamente, sem discursos e sem aceitar o questionamento dos governistas, o que irritou parlamentares do PT e de partidos aliados a Dilma. Eles querem que a votação seja aberta, não secreta, como definiu Cunha, e ingressaram no Supremo Tribunal Federal para tentar mudar o modo de votação. Quando Cunha iniciou a votação, deputados do PT se postaram então em frente às 14 cabines de votação instaladas no plenário para evitar que os deputados de oposição votassem. Três urnas chegaram a ser quebradas. Vários deputados tentaram tirar os petistas a força, entre eles o José Carlos Aleluia (DEM-­BA). Cunha suspendeu a sessão, mas ela já foi retomada.
Governistas protocolaram uma chapa com 47 nomes. A oposição e dissidentes da base reuniram 39 deputados. O receio do Palácio do Planalto é que, em uma escolha secreta, a chapa oposicionista seja eleita, o que poderá ser uma ameaça, já que a maioria dos integrantes do grupo é favorável ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. Por determinação de Cunha, a votação é secreta. Com o respaldo do Palácio do Planalto, no entanto, o PCdoB recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar derrubar a chapa alternativa lançada pelos partidos de oposição e tornar a escolha aberta. O caso será analisado pelo ministro do Supremo Luiz Edson Fachin. Caso a Suprema Corte não garanta a votação aberta, a base aliada do governo federal decidiu atuar para obstruir a escolha.

SESSÃO SUPLEMENTAR
Após o resultado, será realizada eleição suplementar, não necessariamente nesta terça, para completar as vagas restantes –se a governista vencer, por exemplo, restarão ainda 18 vagas para que seja atingido o número de integrantes da comissão, que é de 65 parlamentares.
A votação desta terça, que pode ser adiada, será uma prévia da votação da abertura do processo de impeachment de Dilma: o resultado irá mostrar como está, hoje, a relação de forças no plenário entre os partidários e os contrários à deposição da presidente.
A chapa governista foi indicada pelos líderes dos principais partidos aliados e reúne 19 partidos. Dois deputados foram indicados pelo PSC para essa chapa –Marco Feliciano (PSC-­SP) e Eduardo Bolsonaro (RJ) –, mas eles assinaram a lista dos oposicionistas. Logo, ficarão nesta última.
Sob o mote "Unindo o Brasil", a chapa da oposição e dos dissidentes reúne 13 partidos –incluindo os dissidentes do PMDB de Michel Temer, que está rachado entre apoiar a petista e engrossar o "fora Dilma".
Eleita a comissão, será realizada a sessão de instalação para eleição do presidente e do relator, ainda sem data marcada. Essa comissão apresentará um parecer pelo arquivamento do pedido ou pela abertura do processo de impeachment de Dilma.
Caso pelo menos 342 dos 512 deputados federais (o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não vota) decida pela abertura do processo, o Senado o instala e Dilma é afastada. A conclusão desta análise pela Câmara deverá ser encerrada em janeiro, caso o Congresso suspenda o recesso, ou em fevereiro ou março, caso os congressistas entrem de férias a partir do dia 23.

Veja abaixo os integrantes das duas chapas.
GOVERNISTAS

PT
Arlindo Chinaglia (SP) 
Henrique Fontana (RS) 
José Guimarães (CE) 
José Mentor (SP) 
Paulo Teixeira (SP) 
Sibá Machado (SP) 
Vicente Cândido (SP) 
Wadih Damous (RJ) 

PMDB 
Celso Maldaner (SC) 
Daniel Vilela (GO) 
Hildo Rocha (MA) 
João Arruda (PR) 
José Priante (PA) 
Leonardo Picciani (RJ) 
Rodrigo Pacheco (MG) 
Washington Reis (RJ) 

PTB 
Cristiane Brasil (RJ) 
Pedro Fernandes (MA) 
Zeca Cavalcanti (PE) 

PP
Eduardo da Fonte (PE) 
Fernando Monteiro (PE) 
Iracema Portella (PI) 
Roberto Britto (BA) 

PMN
Antônio Jácome (RN) 

PTN
João Bacelar (BA) 

PRB
Jhonatan de Jesus (RR)
Vinicius Carvalho (SP) 

PEN 
Junior Marreca (MA) 

PR
Aelton Freitas (MG) 
Lúcio Vale (PA) 
Marcio Alvino (SP) 
Maurício Quintella (AL)

PSD 
Diego Andrade (MG) 
Irajá Abreu (TO) 
Júlio César (PI) 
Paulo Magalhães (BA) 

PROS 
Givaldo Carimbão (AL) 
Hugo Leal (RJ)

PV Sarney Filho (MA)

PDT
Afonso Motta (RS)
Dagoberto (MS)

PSOL 
Ivan Valente (SP) 

PCdoB 
Jandira Feghalli (RJ) 

PTC 
Uldurico Júnior (BA) 

PTdoB 
Sílvio Costa (PE) 

PMB 
Valtenir Pereira (MT) 

REDE 
Alessandro Molon (RJ)

OPOSIÇÃO 
Confira os integrantes da chapa "Unindo o Brasil", da oposição e de dissidentes da base governista PSDB

Carlos Sampaio (SP) 
Bruno Covas (SP) 
Nilson Leitão (MT) 
Valdir Rossoni (PR) 
Shéridan Oliveira (RR) 
Paulo Abi­Ackel (MG) 

DEM 
Mendonça Filho (PE) 
Rodrigo Maia (RJ) 

PPS Alex Manente (SP) 

PSB
Fernando Coelho (PE)
Bebeto Galvão (BA) 
Danilo Forte (CE) 
Tadeu Alencar (PE) 

PSD
Sóstenes Cavalcante (RJ) 
Evandro Roman (PR) 
João Rodrigues (SC) 
Delegado Éder Mauro (PA) 

PMB
Major Olimpio (SP) 

PMDB 
Osmar Terra (RS) 
Lúcio Vieira Lima (BA) 
Lelo Coimbra (ES) 
Carlos Marun (MS) 
Manoel Júnior (PB) 
Osmar Serraglio (PR) 
Mauro Mariani (SC) 
Flaviano Melo (AC) 

PEN 
André Fufuca (MA) 
PHC Kaio Maniçoba (PE) 

PP 
Jair Bolsonaro (RJ) 
Jerônimo Goergen (RS) 
Odelmo Leão (MG) 
Luís Carlos Heinze (RS) 

SOLIDARIEDADE 
Paulinho da Força (SP)
Fernando Francischini (PR)

PTB 
Benito Gama (BA)
Ronaldo Nogueira (RS) 
Sérgio Moraes (RS) 

PSC 
Eduardo Bolsonaro (SP)
Marco Feliciano (SP)

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