Moto Legal

23 de junho de 2015

Trabalhadores de São Mateus, caem em golpe no interior de São Paulo

Ribeirão Preto - O sonho de uma oportunidade de emprego no interior de São Paulo (SP) virou pesadelo para 100 homens que viajaram 4 mil quilômetros de São Mateus do Maranhão (MA) a Ribeirão Preto (SP). Com a promessa de vagas na construção civil, os trabalhadores desembarcaram na cidade na madrugada de domingo (21), mas o suposto contratante não apareceu para encaminhá-los.
Sem dinheiro para hospedagem e até mesmo para alimentação, os homens passaram a noite em um posto de combustíveis na Rodovia Anhanguera. Comovidos com a situação, moradores vizinhos ao local levaram pães e refrigerantes para os trabalhadores, que estavam sem comer.
As únicas informações que os trabalhadores têm sobre o trabalho estão em um documento que foi entregue a eles ainda no Maranhão. Os dados, no entanto, são aparentemente falsos.
Em nota, a Secretaria de Assistência Social informou que foi informada sobre o caso e que comunicou a situação ao Ministério Público do Trabalho. Segundo a pasta, o MP deve acionar a empresa responsável pelos trabalhadores para que seja providenciado auxílio ao grupo. A secretaria informou ainda que os trabalhadores serão apoiados até que uma solução seja apresentada.

Sem trabalho
De acordo com o pedreiro Aloísio Vasconcelos, os trabalhadores foram mandados a Ribeirão Preto por intermédio de uma agência de empregos de São Mateus do Maranhão. Eles alegaram que foram contratados para a construção de um depósito e que cada um receberia um salário de R$ 1,4 mil. Desde a chegada a Ribeirão Preto, no entanto, os homens não tiveram contato com o suposto contratante.
"Falaram que quando a gente chegasse aqui teria uma pessoa e um ônibus esperando a gente, para levar a um hotel ou alojamento. A empresa é invisível. Todo mundo está aqui com fome, sem ter como ir embora, dormindo no chão. Precisamos de ajuda para voltar", diz.
José Alexandre Leandro da Silva deixou a mulher e os quatro filhos em São Mateus do Maranhão acreditando que teria uma boa oportunidade de trabalho. A família depende da renda dele para se sustentar. O trabalhador, no entanto, não sabe o que fazer diante da situação.
"O contrato era de R$ 1,4 mil na carteira com hora extra, mas pelo visto não vai ter nada. Estamos aqui passando fome. Não temos ideia do que vai acontecer. Fora dois dias e meio na estrada para não encontrar nada. É muito esquisito. Não pode acontecer. A gente sai de casa, deixa a família para trás, chega e acontece uma coisa dessas", lamenta.

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