Moto Legal

7 de maio de 2015

Querem usar o Governo Flávio Dino como cortina de fumaça

Por Louremar Fernandes

O que não falta pelo Maranhão afora são prefeitos que perderam a legitimidade ao longo do mandato seja pela inércia, seja por ações mal sucedidas que transformaram a maioria das administrações municipais em verdadeiros ícones de rejeição popular.
Com a aproximação do ano eleitoral e sem apresentarem disposição para uma real mudança, existe a necessidade desses gestores de desviarem a atenção dos eleitores. Parece ser esta a motivação de algumas pessoas ligadas politicamente a alguns prefeitos e que tentam estabelecer uma campanha sistemática cobrando que o Governo do Estado tome para si responsabilidades que são dos prefeitos municipais.
A maior parte das cobranças é pelo asfaltamento das ruas de suas cidades ou por alguma grande obra. Esquecem essas pessoas que, num Estado onde 30 municípios apresentam os mais baixos Indicadores de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, reclamar destinação de asfalto é no mínimo uma insensibilidade. A essas cidades o Governo do Estado dispensa total atenção através do Plano Mais IDH.
E não há que se falar em outro termo que não a insensibilidade, ao imaginarmos que há centenas de crianças estudando em escolas de taipa e palha distribuídas em mais de cem municípios. Para enfrentar esse problema o Governo está executando o programa Escola Digna, que vai construir escolas de alvenaria.
Se o meu município não está incluído nessas ações emergenciais, como posso me sentir confortável ao criticar o governo estadual ? É legítimo que eu alegue a votação obtida neste ou naquele município, quando sabemos que Flávio Dino venceu a eleição em quase todos os 217 municípios? Porque é mesmo que ele deve olhar primeiro para a minha cidade se ela não está em situação crítica como aqueles paupérrimos 30 municípios? Será que eu não estaria sendo cruel e individualista enquanto posso ser sensato e pensar num Estado melhor de forma abrangente e não apenas a partir da minha cidade?
Esse pontos de reflexão nos levam a concluir que alguns movimentos pontuais no sentido de afirmar que o Governo “esqueceu” esta ou aquela cidade, não passam de estratégia para criar uma cortina de fumaça de forma a desviar os olhos da população dos reais problemas, que se não foram criados pelos atuais gestores, por eles são ignorados.
É preciso que se entenda que o povo, nas urnas, não operou apenas a mudança de governador. O povo sabiamente optou por uma mudança na forma de gerir o Maranhão. A mudança não se opera em apenas 126 dias que marcam hoje a gestão do atual governador.
O processo de mudança requer princípios. São esses princípios que não permitem ao Governo sair distribuindo recursos para municípios de forma aleatória para favorecer prefeitos que buscam uma reeleição. Há o princípio de dar oportunidade a quem nunca foi olhado, como é o exemplo dos 30 municípios mais pobres do Maranhão. E isso precisa ser observado mesmo diante do clamor por asfalto, por grandes obras que alegram principalmente empreiteiras, pouco afeitas a trabalhar com governos criteriosos na execução dos planos.
O Maranhão é grande e precisa se desenvolver principalmente a partir dos pequenos que nunca foram olhados. Aos municípios de médio e grande porte, concede-se nesse instante a chance de serem criativos, de serem ousados e ajudarem os pequeninos a saírem do atoleiro em que foram jogados por várias gerações. Pensar coletivamente é ser mais justo do que fazer valer a máxima de que “farinha pouca, o meu pirão primeiro”.

Do blog do Louremar.com.br

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