7 de novembro de 2013

José Sarney e suas mentiras de domingo

Por Luis Mello Neves*

Na madrugada da segunda-feira (28) li a ‘coluna do Sarney’ na página do blogueiro oficial do Palácio dos Leões, Gilberto Leda, que me honra em mandar seus artigos por e-mail. Em trinta ou quarenta linhas, o ex-governador do Estado mente e fantasia a história em proveito próprio, várias vezes, como é do seu estilo.
Que o filho de Sarney Costa seja um rematado mitômano, muita gente sabe, mas desta vez ele exagerou. Pelo menos para quem, como eu, não acompanha suas publicações semanais! 
Primeira mentira: que foi ele quem “solicitou” a construção do Porto do Itaqui. Segunda mentira: que ele escreveu um discurso de Jânio Quadros, prometendo o porto, a estrada para Teresina e uma Cia de Telecomunicações, “que foi a primeira do Brasil”. Terceira mentira: que ele deu um “carão” em um almirante em plena ditadura militar, para “garantir as obras do porto”. Quarta mentira: que Duque de Caxias, quando por aqui esteve para acabar com uma insurreição popular, a Balaiada, em 1840, e por isso foi nomeado presidente da Província, previu que o porto local deveria se mudar para quase três léguas de distância, numa época em a cidade não excedia seis mil metros em cada direção, isto porque o então ancoradouro estaria em processo de assoreamento! 
Veja, a seguir, que nenhuma afirmação do Sr. José Sarney se sustenta.
Primeira mentira de Sarney neste domingo: A construção de um porto na área do Itaqui já era plano federal desde antes de seu mandato (1966/1970) e tinha como meta a exploração da província mineral de Carajás pela Cia Vale do Rio Doce e seus sócios internacionais. As minas de bauxita no vale do Rio Trombetas, em Oriximiná, Pará, haviam sido declaradas descobertas em 1960 pela mineradora canadense Aluminium Limited of Canada – Alcan. Na esteira desta viria depois a Alcoa, o maior enclave norte-americano no Brasil depois da Base Aérea de Alcântara, que fica a poucas milhas do local. Portanto, o plano do porto do Itaqui, nada tem a ver com Caxias.
Segunda mentira de Sarney neste domingo: Pulemos esta, pela impossibilidade de pedir o testemunho do falecido Jânio Quadros. Jânio, aliás, falava de improviso e conhecia a língua portuguesa melhor que todos os “sarneys” juntos, incluindo o avô paterno (que batizou um filho com o nome Sarney, pensando que dizia “Sir Ney”, o nome de seu patrão) e também o materno (que, deputado provincial por São Bento, em sua única declaração na Assembleia —pondo-se contra a publicação do Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, de Cesar Augusto Marques (1871)— disse apenas: “Isso não adianta idéia!” E quando o colega de tribuna Lapenberg lhe cobrou uma explicação da imprecisa frase, ele completou: “Desde já declaro que voto contra o projeto!”) Declarar “desde já” que vota contra é uma façanha, de coragem e de retórica! No ano seguinte, César Marques, que era doutor em Medicina e professor de Matemática, ao publicar o volume anotou no posfácio: “O voto contra do Sr. Guilherme de Sousa (eis o nome deste avô de Sarney), e de outros indivíduos sem habilitações para conhecer nosso trabalho, muito nos honra. Cumpre, porém, consignar aqui a causa da ojeriza do Sr. Guilherme. Quando estampamos no Publicador o nosso artigo sôbre São Bento constou-nos que êste senhor se queixava, porque não tínhamos feito especial menção do seu estabelecimento comercial, isto é, de uma venda e loja de fazendas, tudo misturado e confundido, onde S. Sa. mede quartilhos de azeite e varas de paninho. (...) Inde irae! [Daí sua ira!]” 
Mentira anexa à segunda mentira do Sarney neste domingo: A tal Cia de Telecomunicações, existiu, sim. Só que se chamava Cia. Telefônica do Maranhão (COTEMA) e foi fundada na mesma década em que Sarney nasceu, 1930. Ficava na Rua de Nazaré, onde hoje é o Restaurante Senac, em São Luís, e não foi “a primeira do Brasil”, como ele diz. A primeira, CTB, que servia os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais data de mais de quarenta anos antes. O que aconteceu no período do governo do neto do quitandeiro de São Bento foi a estatização da COTEMA, e não sua fundação!
Terceira mentira de Sarney neste domingo: O então governador, que pulara do palanque de Jânio Quadros e João Goulart para as hostes da Ditadura, não teria coragem, nem tampouco “autoridade” (nem ele, nem qualquer outro governador) para dar carão em um almirante, fosse para o que fosse, quanto mais para pedir dinheiro para “as obras de um porto”!
A quarta mentira de Sarney neste domingo é uma tentativa de pegar carona na importância histórica de Caxias, que ao chegar ao Maranhão ainda não era Duque. Vindo como comandante das forças militares que poriam fim à revolta da Balaiada, e sendo um militar apenas, não um administrador visionário, como poderia o soldado pugnar pela mudança do porto de uma cidadezinha de 25 mil habitantes, com menos de seis quilômetros de quadro, para uma distância de mais de duas léguas? Sendo que a área do Itaqui já era “ponto de fundeio” (estacionamento) de navios que subiam o Rio Mearim em busca de mercadorias como couro e algodão desde antes de Caxias nascer! E a desculpa de “assoreamento” é tão absurda que o porto maranhense continuaria no mesmo local por mais de cento e vinte anos. Isso mesmo, mais de 120 anos! 
Por fim, o secretário de Obras de Sarney, engenheiro Haroldo Tavares, que construiu a barragem sobre o Rio Bacanga, que dá acesso à região do Itaqui e possibilitou a existência do porto, sabia, e decerto contou a Sarney, que em 1920 a geração de seu pai (que então foi prefeito de São Luís) já vislumbrava a construção de um porto em tal local.
Mas o prosador José Sarney diz que tudo foi planejado por ele e pelos poetas de sua geração! Faltava ele dizer —este verdadeiro Barão de Münchausen tupiniquim— que também se salvou de uma queda de avião puxando pelos próprios cabelos...!

*Luis Mello Neves é jornalista, escritor e autor de diversos livros.

Um comentário:

zerivan lima disse...


JUIZ FEDERAL MADEIRA E GOVERNO ROSEANA (ATRAVES DA SECRETARIA DE SEGURANÇA) AUTORIZAM MASSACRE NO RESIDENCIAL NOVA TERRA.

08/11/2013


Decisao
...ANTE O EXPOSTO, defiro o pedido de fls. 763/764 e, assim, determino a expedição de novo mandado, com vistas à reintegração da Autora na posse dos imóveis descritos no documento de fls. 766/778 e de outros que a Caixa Econômica Federal aponte como irregularmente ocupados, estando os recalcitrantes sujeitos à desocupação forçada dos imóveis, bem como às sanções cíveis e penais cabíveis. Importante: o cumprimento da ordem de reintegração de posse será realizado pela Polícia Federal, com a participação da Polícia Militar, e deverá ser acompanhado por 2 (dois) Oficiais de Justiça, os quais permanecerão de prontidão e em contato direto com o Delegado de Polícia Federal responsável pela coordenação da operação. Deverão os Oficiais de Justiça, ao final, elaborar certidão circunstanciada de tudo que ocorrer durante a realização da diligência. Fica desde logo autorizada a utilização de chaveiros para auxiliar na abertura de portas/portões, os quais deverão ser colocados à disposição dos Oficiais de Justiça às expensas da Caixa Econômica Federal. Em caso de necessidade, fica autorizado o arrombamento de portas/portões. Realizada a reintegração de posse dos imóveis, a Caixa Econômica Federal deverá garantir a incolumidade do empreendimento, não permitindo que terceiros novamente o invadam, com isso tranquilizando os detentores de legítimas expectativas de direito de que essas unidades só serão ocupadas regularmente, ou seja, na forma da lei. Requisite-se, por ofício, o apoio da Superintendência Regional da Polícia Federal no Maranhão e da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão. Publique-se. Intimem-se.
Font: Emitido pelo site www.trf1.jus.br em 08/11/2013 às 19:38:31