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10 de janeiro de 2012

15 anos sem Padre Cláudio em São Mateus-MA

A exatamente 15 anos, em 10 de janeiro de 1997, morria um dos maiores homens que a comunidade de São Mateus já conheceu, Padre Cláudio, um italiano que amava esta comunidade como se aqui tivesse nascido.
 

"...Foi um grande choque. Uma triste surpresa inesperada. Uma perda enorme para a Igreja do Maranhão. O padre Cláudio Bergamaschi, estava voltando de um retiro em Goiânia. Alegre desceu do avião no aeroporto da capital São Luis e com sua "mana" Lucineth Cordeiro, coordenadora do nono Intereclesial, tomou o ônibus para, naquela mesma noite ainda, voltar para a sua casa em São Mateus.
Uma pista molhada, irregular, estreita e cheia de curvas. Um ônibus com pneus já há muito tempo impróprios para agüentar as longas viagens. Uma fração de segundo. A colisão com um caminhão foi violenta. Mais dois nomes foram acrescentados na longa lista de vítimas de acidentes de transito na BR 135, os do Padre Cláudio e do Edilson, um estudante de 13 anos que retornava para sua casa em Pedreiras para tirar férias.
A notícia da morte de Padre Cláudio e dos ferimentos sofridos por Lucineth, deixaram muita gente abalada. São Mateus viveu dias de imensa dor, vieram da Itália, a irmã de Cláudio e uma sobrinha. O velório durou três dias, lembro-me como se fosse hoje, o desespero que foi, algumas pessoas desmalharam e tiveram que ser socorrida por uma equipe médica que foi deslocada para dar plantão em frente ao Salão paroquial. No dia do enterro, a Igreja era pequena demais. De muitos cantos do Brasil, as comunidades enviaram mensagens de solidariedade, confortando o nosso Estado na perda do seu assessor regional das CEBs. À nossa gratidão a este homem sério, comprometido, chorado pelos mais pobres da paróquia, da sua diocese e do Maranhão.
A morte do Padre Cláudio se soma à de todos aqueles que foram vítimas da má administração, do descaso do poder econômico e político diante das necessidades de segurança e qualidade integral de vida.

A Paróquia de São Mateus tem uma programação para celebrar a data de hoje:

Às 14h. Chegada das comunidades ao Centro Pastoral Paroquial Padre Cláudio, localizado no largo da Igreja Matriz, em seguida momento de espiritualidade e testemunhos.
às 18h Celebração Eucarística em memória do 15º aniversário da Páscoa de padre Cláudio Bergamasch.
 
Hoje também em Mantua na Itália, estará sendo celebrada a Missa em memória do mesmo. Já Lucineth Cordeiro, uma das vítimas que sobreviveu ao mesmo acidente que falesceu Padre Cláudio, talvez não poderá participar das celebrações em memória do religioso.

Um pouco mais da história de Padre Cláudio:
1963 papado de Papa João XXIII e o Concílio Vaticano II , Mantova na Itália fez uma parceria para fazer uma pastoral no nordeste do Brasil.
1968, os bispos da América Latina fazem um serviço de pastoral aos pobres.
O novo bispo de Viana é Dom Helio Campos e faz um trabalho também em uma favela em fortaleza.
1970 Padre Claudio Bergamaschi, substitui Padre Dante lasanhas, nas paróquias de S. Vicente, S. João e Cajapiò.
1971-1972 Arnaldo Caleffi chega paracolaborar nos trabalhos de Padre Claudio Bergamaschi nas freguesias de S. E S. Vicente João.
No mesmo ano nasceu a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
1977 Padre Claudio Bergamaschi, se mudou com as irmãs da Congregação de Jesus Crussificado para a então nova paróquia de São Mateus, que está inserido na nova diocese de Coroatá.
1978 Durante a sua visita na Itália, foi impedido de voltar ao Brasil, e apenas com a ajuda do apoio da CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil) pode entrar e voltar legalmente ao Brasil.
1982 Padre Claudio se torna responsável na CPT no estado do Maranhão.
1983 Chega Padre Mauricio Maraglio para colaborar nos serviços pastorais de Cláudio e, em seguida, substitui Cláudio em S. Mateus , fazendo o trabalho da CPT.
1985 Generalizada conflitos por terra entre camponeses e fazendeiros: e somente na região de São Mateus foram assassinados 22 camponeses.
10 de maio de 1986: Um pistoleiro mata Padre Josimo enquanto ele está entrando na casa da CPT, na cidade de Imperatriz.
28 de Outubro de 1986: morte de Padre Mauricio Maraglio, em circunstâncias nunca esclarecidas. Escândalo levantadas pela imprensa dos latifundiários Sarnysista, descreveu Mauricio como "Um agitador do Médio Mearim”. Elementos contraditórios em diferentes versão da morte. Latifundiários ainda residentes em São Mateus, são tidos como participantes da organização que vitimou Padre Maurício.
1987 Morte de Irmã Aurora, filha de italianos e brasileiros freira que ajudava na paróquia de São Mateus.
1988 Chega Padre Flavio Lazzarin, para substituir Padre Maurizio Maraglio em São Mateus
Agosto 1989: Arnaldo Caleffi e Roberto Scaglioni passar um mês em S. Mateus e volta para recolher a documentação para o livro: "Ouvi o grito de meu povo." Simultaneamente Anna E Marco Lunghi, da Universidade Catolica de Brescia, operam nos mesmos lugares antropológicos uma investigação conducente à publicação do livro "São Mateus: espero que não decepcionar" (CMD e Instituto de Etnoantropologico 1992). 
1997 Ao retornar no dia 9 de janeirio de um retiro para padres ocorrido em Goiânia, chegando em São Luis, adentra numa condução da Empresa Transbrasiliana e exatamente no km 10 da BR 135, um caminhão sendo guiado por um motorista embreagado colide na traseira do ônibus em que Padre Cláudio estava, como o padre estava nas últimas poltronas, foi atigindo em cheio, ao ser levado ao hospital ainda com vida, nas primeiras horas do dia 10/01/1997 vei a falecer por não ter resistido aos ferimentos, deixando um grande rebalho na Paróquia de São Mateus.

2 comentários:

miltinho aragão disse...

Um ser humano diferente. Justo, por demais humano, solidário, inteligente. Fez opção em socorro aos oprimidos, sem distinção de lugar, por onde passou deixou um rastro de bondade, amor aos pobres, desapego a bens materiais. Um educador, um paizão, quem teve o privilégio da convivência se orgulha dessa marca e jamais esquecerá dos seus gestos, atitudes e práticas. Marcou e marcará para sempre esta cidade de São Mateus, nunca mais foi a mesma. Te amamos muito. Miltinho Aragão.

audilene pinheiro disse...

um Homem de bem.