Obras Mais Asfalto

11 de setembro de 2011

O abc de São Luis


artigo publicado no caderno especial do jornal
O estado do Maranhão, por ocasião do aniversário
da cidade em 8 de set 2011
Por José Ewerton Neto


Com São Luís as vésperas de completar 400 anos, ainda existem cidadãos que desconhecem o bê-a-bá de sua cidade, o significado de suas expressões mais típicas. Num esforço de livre interpretação e inspirado na “deliciosa” leitura de O bê-á-bá de Brasília, de Marcelo Torres e Maranhão na Ponta-da-Língua , de José Neres e Lindalva Barros surgiu esta forma bem-humorada de homenagem.

Ata. O maranhense chama de ata o que em todo lugar é fruta-de-conde. Isso porque quando acabou a  monarquia os condes passaram a trabalhar nas sinecuras fazendo atas. E lá estão até hoje.

Atraca. O que lá fora é chamado de diadema ou tiara, por aqui virou atraca. Isso porque os marinheiros depois de aportarem no Desterro, saíam sedentos atrás das meninas da Rua 28 e lhes doavam tiaras. Mas o que queriam mesmo era  atracá-las. 

Anjo da guarda. Um dos bairros mais recentes e populosos de São Luis,  já foi considerado um dos mais violentos, numa época em que os guardas não faziam por menos. Daí a razão do nome. O anjo era para proteger dos guardas.

Areal. Antigo nome do bairro que hoje se chama Monte Castelo. Em época de chuva são tantos os buracos que tudo fica um lameiro só. Dizem os atuais moradores que o bairro já foi um monte de areia, virou um monte Castelo, e hoje é quase  um monte de lama.

Batizar o carro. Diz-se de levar o carro recém-adquirido para receber a proteção de São José de Ribamar através das bênçãos do padre. Talvez seja essa á a principal razão pela qual o ludovicense só gosta de carro zero.  Para não cometer o pecado de mudar o nome de batismo do carro.  

Baldiar. O ludovicense diz baldear ao invés de vomitar, porque quando chegava na quarta-feira de cinzas dos antigos carnavais estava tão bêbado que, para vomitar, confundia o penico com um balde.

 Bode. (de bode). O ludovicense diz que a mulher menstruada está de bode porque antigamente, quando ela chegava nessa fase, mudava de humor e ficava zangada feito um bode. E principalmente, gostava de inventar chifres na própria cabeça - mesmo os que já existiam.

Cabaço. Cabaço, por aqui, significa hímen, virgindade. Tudo começou quando num passado um tanto remoto as meninas protegiam seu sexo com os braços. Os homens diziam “Tira cá o braço!” Virou “tirar o cabaço”.

Cagado. Diz-se da pessoa que tem sorte. Ao contrário, quem faz besteira faz cagada. Portanto São Luis não é só a cidade que têm os universitários que menos lêem livros no Brasil, é também o único lugar do Brasil em que é melhor ser cagado  do que cagar. Alguma coisa a ver com a outra?

Cafundó dos Judas. Cafundó significa lugar muito remoto e cafundó dos Judas, de mais longe ainda. Como nossos deputados adoram inventar municípios e, com muito mais velocidade, os vereadores da capital apreciam criar vereadores o povo anda dizendo que os município são extraídos dos cafundós, e  os vereadores dos Judas. 

Cidade. São Luis é uma cidade heróica que resistiu aos franceses, aos holandeses, portugueses, mamelucos, imigrantes e demais  descendentes, só não consegue resistir aos seus legisladores, que dela tiram uma cidade atrás da outra: São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa  e agora estão pensando no Maiobão. Qualquer dia a cidade de São Luis será apenas da Praia Grande ao Monte Castelo e olhe lá. E ainda tem a TV Cidade, a Cidade Operária  e,  uma verdadeira atro-cidade, no trânsito!  

Cambito. Perna muito fina. Se Gisele Bundchen por aqui houvesse nascido jamais chegaria aonde  chegou. Teria sido reprovada no vestibular por causa dos cambitos.

Catiroba. Mulher muito feia. Xandy, o pseudo-cantor quando aqui se apresentou há cerca de dez anos chamou as ludovicense de feias num episódio deu muito o que falar. Como a reza da ludovicense é fatal, o disse-não-disse do dito cujo acabou lhe custando caro quando acabou casando com Carla Perez, esta sim, uma verdadeira catiroba.

Égua. O ludovicense quando se espanta ou vê algo absurdo exclama “Égua!”, porque os primitivos mandões e poderosos eram tão ignorantes que pareciam cavalos. Evidentemente, como ninguém poderia chamá-los de cavalos, socorria-se exclamando; “Égua!”, para disfarçar.

Enxerida. Mulher que se mete em coisas alheias.  Dizem que quando a maranhense fica desse jeito é porque não consegue um homem para inserir-se nela. Quando passa muito tempo sem ser inserida, fica enxerida.

Hem-Hem. Expressão que tanto pode significar sim como não. As grandes decisões maranhenses são tomadas desse jeito. Manuel Beckmam jamais teria dito “Pelo povo do Maranhão, morro contente”, mas “Hem-Hem”.

Hum-Hum-  Tradução do hem-hem para o inglês, segundo a maioria das trezentas e tantas escolas que se aprimoram em ensinar inglês na ilha.

Mexer a priquita. Expressão usada para mandar alguém sair da inércia. Essa é uma das razões pela qual o estudante maranhense tem um dos mais baixos índices de leitura no país, e, também, um dos maiores de mães solteiras adolescentes.  As mães mandam a filha mexer a priquita e parar de fazer nada. Bem mandadas, quando não estão dançando forró, mexem a priquita pra valer.  

Na hora. Expressão que o sujeito usa para dizer que está pronto para resolver o problema de alguém em cima da hora, mas que, na prática, significa dizer que está pronto para não fazer nada hora nenhuma. Hino de guerra dos guardadores de carro da cidade.

Pedra.  Refere-se à música de qualidade. Tudo começou quando o som que se ouvia em São Luis era tão ruim que as pedras que batiam nas cabeças dos dançarinos (nas brigas habituais das baladas) tinham um som mais bonito do que o que se ouvia nas radiolas. O pessoal criou o hábito de pedir pedra e mais pedra.

Qualira. O maranhense chama gay de qualira porque o primeiro gay maranhense foi um português que se chamava Lyra, era enrustido e se casou com uma índia que quando soube exclamou: “Quá, Lyra!”.

Ri-Ri. O ludovicense chama zíper de ri-ri porque quando a parceira permite que ele o abra primeiro ele ri de felicidade. Depois ela.

Se  acha. Pessoa convencida e arrogante,  que causa indignação porque se pretende superior as outras. A frase é complementada por um definitivo “a ultima coca-cola do deserto”, “a ultima virgem de São Luis”, “ o único buraco de rua que foi tapado”, etc.

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