Moto Legal

7 de agosto de 2011

Futebol absurdíssimo


O que é mais absurdo, quatro atacantes de uma seleção brasileira desperdiçarem todos os quatro pênaltis chutados numa decisão ou os governantes  estarem construindo,  para o Coríntians, um estádio de futebol, a custo de novecentos milhões? Ou a arrogância de Ricardo Teixeira e dos atuais técnicos de nosso futebol?
                   Vamos por partes.
                                     
1.       Em matéria de arrogância nada é mais sintomático que a última frase de Felipão, o boquirroto treinador, proclamando-se o único responsável pelas vitórias e derrotas de seu time, o Palmeiras. Como se ele fizesse gols - como Kleber, ou defendesse bolas - como Marcos.
                   Ora, se alguém quiser saber qual foi o técnico de futebol que conquistou mais títulos no futebol brasileiro quem saberia dizê-lo, de pronto? Apressadamente, a grande maioria dos torcedores se lembraria de Telê, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, etc. sem chegarem, nem de perto, a tangenciar a verdade. Pois respondo eu: o técnico que mais títulos ganhou  no futebol brasileiro chamava-se Lula.
                   “Quem? Lula? O cronista deve está confundindo alhos com bugalhos!”, deve estar pensando o leitor.  Nem alhos nem bugalhos. O técnico Lula, hoje completamente esquecido, foi o técnico  do Santos nos tempos áureos de Pelé, Coutinho e Pepe e ganhou tudo e mais que tudo. Venceu num tempo em que quem ganhava o jogo era o jogador de futebol e não o técnico,  e sua grande virtude - o que não era pouco  - se resumia àquela  da definição de Romário: “Bom técnico é aquele que não atrapalha.”
                   Virtude essa que nem passa pela cabeça dos atuais técnicos de futebol  cuja arrogância aumenta na mesma proporção em que são tratados como semideuses e ganham rios de dinheiro. Prepotentes como Mano Meneses, asquerosos como Luxemburgo, ou estúpidos  como Dunga, a arrogância dos mesmos só tem explicação como arma pessoal de defesa, para que os iludidos torcedores jamais  desconfiem da verdade óbvia que há por trás da supervalorização dos seus trabalhos.
                   Nenhum deles jamais ganhou sozinho jogo algum, nenhum deles tem valia para um time a ponto de prescindir dos craques. Tão auto-suficientes e enganadores são que, quando chegam a um time, quando contratados, a primeira coisa que pedem é a urgente contratação de bons jogadores. Se são contrariados,  fazem como  Muricy Ramalho que abandonou o Fluminense como um rato fujão e se mandou para o Santos, a fim de fazer história às custas de um  elenco de craques como Neymar, Ganso, Elano etc. Está se dando bem.

2.                 Na outra face do absurdo nada é mais impensável, insensato e inconseqüente do que a decisão tomada pela Prefeitura de São Paulo e do Governo Federal de , através do BNDES, doarem um estádio de futebol ao Coríntians,  sob a desculpa de moldar-se às imposições da FIFA. O argumento, tão débil, que não resiste à mera evocação de um estádio já pronto, o Morumbi, faz acreditar que no manuseio de “nosso” dinheiro  (não se esqueça de que você é que pagará por cada tijolo desse estádio )  a desfaçatez dos mandatários se socorre da apatia de um povo  que não percebe que, mais uma vez, estará sendo extorquido por oportunistas, ao som do oba-oba de uma Copa do Mundo.
                   Mais absurda que  a própria construção do estádio,  é a decisão de cede-lo a uma entidade privada. É o caso de se perguntar: se querem dar um estádio ao Coríntians, por que não ao Flamengo, ao Atlético Mineiro, ao  Boa da série B ou ao Asas de Arapiraca? Que diferenciação é essa? Fica claro que o que move os autores da façanha não é o compromisso com um projeto nacional e patriótico, mas  o de angariar votos entre os corintianos – caso de Gilberto Kassab – e, por tabela ( só Deus sabe o que está por trás disso...) renderem-se às estripulias ladinas já denunciadas pala imprensa,  de dois artífices em jogadas escusas: Andrés Sanchez o presidente do Coríntians e seu amigo de fé Ricardo Teixeira , o arrogante que (citado várias vezes  pela imprensa internacional como corrupto) se julga o dono do futebol brasileiro.
                   Em crônica recente da revista Veja dois especialistas britânicos desfazem o mito de que os gastos exorbitantes da promoção de uma Copa, terão contrapartida no retorno financeiro trazido pelos turistas.  Longe disso. Segundo eles o retorno de uma promoção de uma Copa do Mundo deixa como único respaldo a felicidade de um povo durante a realização da mesma. Felicidade? Ora, que restará de felicidade se o Brasil, por ironia do destino, perder a Copa?
                   Felicidade por felicidade (falsa ou não)  ela já existe todo ano, durante o Carnaval. Só que, desta vez, os elefantes brancos nos quais se transformarão os estádios de futebol, infelizmente, não serão apenas meros carros alegóricos percorrendo as avenidas.

                                                                                                                                                                                   ewerton.neto@hotmail.com

Nenhum comentário: