Obras Mais Asfalto

31 de julho de 2011

Be-a-bá de Brasília

Com o bjetivo de incentivar os leitores desta página à prática da boa leitura, reproduzo aos domingos as crônicas do escritor e membro da Academia Maranhense de Letras, José Ewerton Neto, as crônicas semanais do escritor são publicadas aos sábados, no Caderno Alternativo do jornal O Estado do Maranhão e aos domingos aqui no blogue com autorização do autor.



Fala-se muito em Brasília – e de Brasília – mas poucos a conhecem, de fato. Marcelo Torres, que é baiano, jornalista e radicado em Brasília irmão do consagrado escritor Antonio Torres, fez uma obra bem-humorada para suprir, um tanto, esse desconhecimento. Trata-se de o Be-a-bá de Brasília, da Thesaurus Editora, dicionário de coisas e palavras da capital federal.
            Foi pegando carona nesse livro,  com que me presenteou gentilmente, que começou  a história desta crônica que, espero, os estmulem a se deliciarem com  o livro.  Vamos ao Be-a-Bá de lá:  
BOLOLÔ. Confusão. Ex. “A reunião foi um bololô.” ( Portanto, lá em Brasília quando tudo não acaba em pizza, acaba em bolo-lô)
BOM DIA! Saudação muito pouco usada. De dez pessoas que entram num ônibus seis não dão bom dia. Dizem que o brasiliense espia pelo buraco da fechadura para não ter que dar bom dia ao vizinho. (O costume  deve ter começado com os poderosos. Como dar bom dia a um sujeito, cujas “virtudes” se conhece na intimidade?)  
BOROGODÓ. Atrativo masculino equivalente ao tchan baiano. É algo que deixa atraente um homem, quando não tem beleza física. (Alguém  duvida do que seja o  borogodó ? Borogodó em Brasília ou em qualquer lugar,  é aquilo que não faz ser bonito nem bom de cama, mas dá para pagar uma boa pensão alimentícia.)
BRASILITE. Hábito, mania ou jeito típico de Brasília. Inclui tantas reações positivas como negativas. (O primeiro cara que sofreu com isso foi JK. Tinha brasilite aguda precoce).
CADA UM NA SUA QUADRA. Em Brasília é cada um na sua quadra - ou entrequadra, ou superquadra.  (Já quem mora na periferia, para compensar que não morar em quadra,  é  en-quadrado. Pela polícia).
CAIXÃO. Ônibus. (No Maranhão o equivalente é buzu, mas o termo brasiliense é muito mais verdadeiro. Como se sabe, a única diferença entre um bom buzu e um caixão de defunto é que, no primeiro, a morte é coletiva).
BRASLONGE. Refere-se à Brasilândia, a cidade-satélite mais distante. (Não confundir com Brasíliadelonge, local onde trabalham muitos deputados e senadores que, embora lotados em Brasília dão expediente no Rio e São Paulo).
CAFUBIRA. Pessoa muito feia. (A mesma coisa que os colunistas puxa-sacos da capital - referindo-se a políticos buxudões e peruas encarquilhadas, chamam de “gente bonita” nas colunas sociais dos jornais)
COBRECHEQUE. Forma irreverente do   brasiliense   chamar o nome do seu fundador Kubitschek. (Talvez, porque este tenha deixado, por conta da fundação de Brasília, a nação por muito tempo com cheques a descoberto) .
COMIDAS TÍPICAS. Aos sábados, em Brasília come-se churrasco no clube; domingo acarajé na Torre de TV; segunda-feira farofa de ovo no restaurante do trabalho; terça,  pastel de cana na Rodoviária; quarta,  pão de queijo em todo lugar; quinta, arroz de pequi e sexta-feira, feijoada onde quer que você vá. (Ou seja, o único prato verdadeiramente típico dos poderosos de Brasília  é Povo à moda da Casa [não confundir com polvo] )
CONGRESSO NACIONAL. É o cartão postal, o retrato maior da cidade. Apesar da beleza estética, o Palácio do Congresso Nacional carrega simbologia negativa em razão do acúmulo dos escândalos. Uma das referências mais negativas circula há anos, na Internet: “Se gradear vira jardim zoológico; se murar vira presídio; se botar lona, vira circo. Se colocar luz vermelha vira puteiro; e se der descarga ninguém sobra.”
C.P.F  .  Na linguagem brasiliense dos corruptos ativos e passivos significa Comissão Por Fora, ou seja, propina, suborno, corrupção, ao contrário do C.P.F. usual.  (Outra diferença é que o C.P.F comum só tem oito números enquanto os de lá tem zeros que não acabam mais. É de se esperar que para o C.P.F. dessa turma [ como o do filho do ex-ministro dos Transportes que multiplicou o patrimônio de sua empresa de sessenta mil reais para sessenta milhões em dois anos] três letras seja muito pouco, precise do alfabeto inteiro).
JUSCELINOMYS CANDANGO. Rato típico de Brasília, descoberto na época da construção. O descobridor foi um biólogo mineiro que deparou no cerrado com um animal da família Cricetidae e, em homenagem a JK, assim o batizou. ( Bons tempos aqueles em que os únicos ratos que infestavam a cidade eram do tipo Juscelinomys Candango e não, como agora, ratazanas do tipo Alfredonomys Nascimento ou Robertonomys Arruda)  
JABURU. Nome do palácio onde moram o vice, Michel Temer e a vice-primeira-dama. (Obviamente, a bela Marcela Temer, vice-presidente,  deve ter sido bem recompensada pela sua coragem de nada Temer: mora num Jaburu e casou com um)
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

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