Moto Legal

28 de setembro de 2009

- PISTOLEIROS ATACAM CAMPONESES NO ASSENTAMENTO RETIRO VELHO

Na tarde do último sábado (26/9), 20 homens armados e encapuzados invadiram uma área onde 20 famílias da comunidade Retiro Velho, localizada às margens da estrada do Lago Verde, zona rural daqui de São Mateus do Maranhão, estavam acampadas. Os pistoleiros chegaram a pé, à comunidade, e iniciaram uma série de disparos contra os trabalhadores, ferindo o companheiro José Antonio Gonçalves Bastos, mais conhecido por Caetano, 30 anos, com 9 tiros de espingarda calíbre 12 e revólver calíbre 38. Os trabalhadores rurais reconheceram o latifundiário Francisco Nobre Macedo e seu filho, Zé Leite, como participantes do grupo de ataque. O companheiro atingido não corre risco de morte e passa bem e ainda relatou que o tiroteio se estendeu por dez minutos. Durante o ataque, os trabalhadores recuaram adentrando ao mato. Neste momento os trabalhadores estão cercados por pistoleiros, onde a ordem dos latifundiários é que os mesmo sejam executados.

Breve histórico:

Em outubro de 2002,120 famílias foram despejadas dos povoados Pai Mané e Retiro Velho. Após anos de processo na justiça, em 2008, o Incra-Ma recebeu a imissão de posse de 900 hectares da fazenda em conflito. Em seguida iniciou o assentamento de 30 famílias que foi imediatamente suspenso pela justiça federal atendendo a uma petição do latifundiário que alegava produtividade da área. O Incra recorreu da ação. Em dezembro de 2008, as famílias reocuparam a área e o latifundiário ingressou com pedido de reintegração de posse na Justiça Estadual que, em janeiro de 2009, concedeu a reintegração. Os camponeses recorreram ao Tribunal de Justiça, mas perderam. Em 1º de setembro, deste ano, a liminar foi cumprida sem que os camponeses fossem notificados e sem acompanhamento do Ministério Público. As famílias não puderam retirar seus pertences pessoais, animais, produtos das roças, tampouco fazer a colheita do arroz. No último dia 25 de setembro as famílias retornaram à área.

Atualmente, o clima ainda continua muito tenso na região. Ilhados, os trabalhadores estão cercados de pistoleiros, correndo risco de morte e os famíliares dos camponeses que estão em São Mateus temem em serem alvos de execução também.



Contribuição: Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Coroatá RE NE 5.

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