Moto Legal

3 de setembro de 2009

CONFLITOS NO CAMPO DIMINUEM, MAS MORTES SÃO FREQUENTES

A violência no campo não para de crescer apesar de os focos de conflito terem diminuído, aponta relatório divulgado nesta quinta-feira (3) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Segundo os dados do primeiro semestre deste ano, o número de disputas caiu de 678 (no mesmo período de 2008) para 366 agora, uma queda de 46%. O número de pessoas envolvidas também diminuiu e foi de cerca de 300 mil (2008) para 193 mil (em 2009).
Mesmo assim, doze pessoas foram assassinadas, 44 sofreram tentativa de assassinato, 22 receberam ameaça de morte, seis foram torturadas e 90 foram presas no último semestre. Na média, isso significa que uma pessoa morre vítima da violência a cada 30 disputas. Em 2008, era 1 assassinato a cada 52 conflitos.
Os dados revelam ainda que o número de pessoas torturadas passou de 1 a cada 399 conflitos para 1 a cada 61, e o número de tentativas de assassinato foi de 1 a cada 21 para 1 a cada 8 conflitos.
"O que nos espantou nesses dados foi que o Estado se tornou muito mais agressivo. Proporcionalmente, há mais despejos, mais mortes e mais torturas", analisou o coordenador nacional da CPT, Dirceu Fumagalli, que ressaltou um novo movimento: o Estado despeja mais e, consequentemente, o empresariado do campo expulsa menos.
De acordo com a CPT, também aconteceu um "espraiamento da violência pelo país". Em 2008, os assassinatos foram concentrados em sete Estados. Agora, eles se espalharam por 11 regiões.
O aumento da violência foi maior no Centro-Oeste: 3 assassinatos em 2009 (1 em 2008), 13 tentativas de assassinato (0 em 2008), 80 famílias expulsas (0 em 2008), 1.200 famílias despejadas (455 em 2008).
No Sudeste, a situação no campo também piorou. Os assassinatos passaram de 0 para 2, as tentativas de assassinato de 1 para 5 e as prisões de 0 para 3. Para a CPT, é surpreendente a violência na "região mais rica e desenvolvida do país, onde se poderia imaginar que os conflitos agrários estariam tranquilamente superados".
A comissão destaca ainda que houve um aumento "preocupante" nos casos de pistolagem (famílias que sofreram ameaças, agressões ou qualquer forma de pressão e violência por parte de pistoleiros) no Nordeste e no Sudeste.
Na Bahia, por exemplo, houve um aumento de 630% - de 102 casos em 2008 para 900 agora. Já em Minas Gerais, a ação dos pistoleiros não havia sido detectada no ano passado e hoje soma 131 casos.
"Isso mostra o aumento da violência do poder privado, consequência da impunidade e da inoperância dos órgãos competentes em punir esta prática por parte de grandes fazendeiros e empresas rurais", escreve a CPT.
A comissão considera conflitos por terra, água e trabalhistas no balanço. As disputas por terra, no entanto, representam 67% dos conflitos.
O relatório mostra que as ocupações e os acampamentos diminuíram de um ano para o outro. As ocupações baixaram de 187 para 102 e os acampamentos de 27 para 22. O número médio de pessoas por acampamento, no entanto, aumentou de 68 famílias por acampamento, em 2008, para 104 em 2009.


Fonte: Comissão Pastoral da Terra - CPT

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